sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A chuva começou a varrer a rua devagar, o asfalto já estava molhado e eu tinha que pegar a minha bicicleta e a capa de chuva que estavam na garagem, contudo eu não conseguia pensar em nada o que eu tinha que fazer, não conseguia parar de pensar nele. Minha mente, não conseguia parar de pensar em uma forma de preencher o vazio que tinha dentro de mim. Da porta da garagem, fiquei alguns minutos olhando para chuva que limpava céu, e formava um grande arco-íris. Casamento de Viúva - pensei comigo mesma. Abracei a mim mesma, e prometi que dali para frente minha vida seria diferente. Já havia um tempo que havia tomado essa decisão, mas nunca tomei iniciativa para fazer com que essas palavras não fossem apenas um sonho que não pudesse se tornasse realidade.
 Nunca pensei que um dia eu fosse me arrepender de meus atos, das palavras que foram proferidas de um jeito tão rude, cruel. Minha boca tinha um gosto amargo, da mesma forma que as palavras foram tão amargas quando foram recebidas por aquele que eu esnobei.
Tomei minha bicicleta em mãos, e segui o caminho trilhado todos os dias de verão, de inverno, de sol, de chuva. Mas todos os dias sentia a mesma sensação, o vento gelado em meus cabelos, o sorriso sendo esbanjado para todos que quisessem ver. Hoje não tinha sorriso, não tinha ninguém para conduzir minha bicicleta velha até o aeroporto para fazermos um piquenique. Eu pedalava sozinha, enquanto a chuva me encharcava sem dó.
Mudar de vida era só isso que eu pensava, mesmo que fosse preciso sacrifícios. Eu precisava esquecer meu passado, e pensar que a vida poderia ser melhor de hoje em diante. Só dependia de mim.
Eu esperava que não fosse tão tarde, que o meu sacrifício não tenha sido em vão, que minha tentativa de esquecer o meu sofrimento tenha valido a pena. A perda de um marido não havia sido fácil, não queria perder mais uma chance de ser feliz.
Cheguei a tempo no aeroporto, os voos havia atrasados, meu corpo encharcado de chuva e de lágrimas mostrava o quanto eu queria mudar.  Encontrei-o, e ele tinha lagrimas nos olhos, assim como eu. E disse às palavras que o meu coração antes havia implorado dizer, enquanto minha língua contava mentiras injustas e cruéis.
- Eu aceito - dessa vez meu coração encontrou forças para abrir-se de novo para o amor.  Depois de anos me culpando por algo em que não tinha culpa, deixei-me seduzir pelo gosto doce e maravilhoso do amor. Deixei-me ser seduzida pelo sorriso que meu coração insistia em mostrar a todos nesse momento. Permiti criar asas para voar por um novo horizonte, onde reinava a paz, a felicidade até o fim impossível da eternidade.

3 comentários:

Vida e arte disse...

Layla

LIndo demais, o amor é muito lindo!!! Mereceu o 1º lugar.

Gosto da forma como escreve.
Adoro seu nome Layla Max - forte e com certeza será o de uma grande escritora.

Obrigado pela visita.
Bjs e bfs

Arianne Carla disse...

Ohana, parabéns pra nós! Ficamos entre os três melhores da semana na edição roteiro da semana! Seguindo! *-*

@juusep disse...

É tão bom sentir assim!